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Tuberculose exige cuidados e diagnóstico precoce



Nessa terça-feira (24/3), Dia Mundial de Combate à Tuberculose, a Fundação Ezequiel Dias (Funed) reforça a importância do diagnóstico de qualidade, primordial para o tratamento adequado dos pacientes.

Referência para a identificação e demais protocolos relacionados à infecção, o Serviço de Doenças Bacterianas e Fúngicas do Instituto Octávio Magalhães (IOM/Funed) é o único laboratório no estado que realiza a análise do bacilo causador da tuberculose (Mycobacterium tuberculosis) e também o teste de sensibilidade aos fármacos recomendados pelo Ministério da Saúde para tratamento da doença.

Hoje, a Funed é responsável pela realização de exames de média e alta complexidade, como a cultura para micobactérias em meio sólido (LJ) e automatizada (MGIT), a identificação da espécie microbiana por método molecular (PCR-PRAhsp65) e espectrometria de massas (Maldi-Tof) e o teste de sensibilidade aos fármacos pelo método das proporções e automatizado (MGIT).

A instituição também coordena a rede de laboratórios do estado, atua na capacitação de profissionais envolvidos no diagnóstico, realiza supervisão técnica em laboratórios da rede e participa do Comitê Estadual para Combate à Tuberculose em conjunto com a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG).

Multidisciplinar


O Comitê é um grupo multidisciplinar composto por diversos profissionais como enfermeiros, médicos e farmacêuticos-bioquímicos de diversas esferas (assistenciais primárias, secundárias, terciárias e diagnósticas). Eles se reúnem mensalmente para discussão de protocolos de conduta terapêutica de pacientes e fluxos diagnósticos, entre outras ações.

Farmacêutica-bioquímica da Funed, Élida Aparecida Leal afirma que a atuação da fundação no comitê é de grande importância para o debate de assuntos relacionados aos fluxos de encaminhamento de amostras aos laboratórios, para o fornecimento de orientações quanto aos exames que hoje temos disponíveis e a respectiva aplicação no contexto da tuberculose. “Também repassamos informações e prestamos esclarecimentos técnicos quando implantamos uma nova metodologia. Em outras palavras, o comitê é um importante veículo de divulgação de informações”, reforça Élida Leal.

Sobre os testes 


Crédito: Divulgação / Funed; Bacilo da tuberculose


O teste de sensibilidade aos fármacos é realizado exclusivamente pela Funed. Trata-se de um exame de alta complexidade, que envolve o manuseio de cepas Mycobacterium tuberculosis, que precisam ser obrigatoriamente manipuladas em laboratório de Nível de Biossegurança 3 (NB3).

Este laboratório, também conhecido como de contenção, se destina ao trabalho com microorganismos que acarretam elevado risco individual e baixo risco para a comunidade. O exame tem por objetivo verificar a susceptibilidade da bactéria isolada da amostra clínica do paciente frente aos fármacos padronizados para o tratamento da tuberculose.

Élida Leal ressalta ainda a recente aquisição pela Instituição do equipamento Maldi-Tof, realizada em 2019. “Trata-se de uma nova tecnologia, baseada no método de espectrometria de massas, que aprimorou a rotina de identificação das cepas de Mycobacterium tuberculosis. Temos disponível hoje mais uma ferramenta para identificação bacteriana, o que representa uma melhoria no diagnóstico”, destaca.

Tuberculose em Minas Gerais


Dados da SES-MG mostram que, somente em 2019, foram notificados 4.322 casos de tuberculose em Minas Gerais, com 233 óbitos registrados. Os números são bastante semelhantes aos de 2018, em que 4.132 casos foram notificados e 234 pessoas morreram. Vale ressaltar que a doença tem cura e seu tratamento é disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

A SES-MG orienta que, para o sucesso do tratamento, é importante que o paciente tome os medicamentos de forma regular (todos os dias, em doses adequadas) e pelo tempo previsto (mínimo de seis meses). Com aproximadamente 15 dias de tratamento, a transmissão da bactéria do indivíduo doente para outras pessoas é interrompida de forma a evitar novos casos da doença. O abandono do tratamento é um dos principais desafios para o controle da tuberculose e está fortemente associado ao aparecimento de casos de multidrogarresistência (ausência de resposta clínica aos medicamentos), com consequente aumento da mortalidade. Em 2018, o percentual de abandono em Minas Gerais foi de 8,4%, considerado alto para os parâmetros aceitáveis pelo Ministério da Saúde (<5%). Saiba mais sobre a doença em: www.saude.mg.gov.br/tuberculose.

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