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Emater-MG atua em projetos ambientais de recuperação hídrica na RMBH


Situado no cinturão verde da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), o município de São Joaquim de Bicas é um importante produtor de hortaliças. A atividade é a principal geradora de renda entre os agricultores familiares locais. Para se ter uma ideia, a colheita para este ano está estimada em 6 mil toneladas, numa área plantada de 201 hectares.

O destaque na região é o chuchu. A cidade ocupa o quarto lugar no ranking estadual de produção do vegetal. Para 2020, a expectativa é de produção de 2,7 mil toneladas do legume. As lavouras ocupam quase 52 hectares e a maior parte é comercializada na Ceasaminas.

Recuperação ambiental

Toda essa rotina produtiva está apoiada na horticultura, uma prática agrícola que exige muita água. Por isso, existe a necessidade de se proteger os cursos de água do município, tornando mais promissora a vida dos agricultores rurais, entre eles meeiros, arrendatários e parceiros das propriedades rurais.

Desde 2002, a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG), vinculada à Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), se dedica à recuperação do meio ambiente do município. As ações, conduzidas pela equipe técnica do escritório local da Emater-MG, têm focado principalmente na manutenção e preservação dos recursos hídricos, sem esquecer outros aspectos da natureza local.

O primeiro trabalho, dentro do Programa de Manejo Ambiental do Município de São Joaquim de Bicas, da Emater-MG, foi concentrado na recuperação do Córrego do Elias, também conhecido como Córrego Farofas. A iniciativa resultou na construção de 168 bacias de captação de água de chuva e 2,9 quilômetros de terraços, em sete propriedades. “Essas obras estão assegurando a retenção de aproximadamente 5% da água utilizada na produção de hortaliças do município”, esclarece a extensionista da Emater-MG local, Silmara Aparecida Cota Campos.

O projeto envolveu uma parceria entre a empresa de extensão rural, prefeitura, comunidades rurais e urbanas, sociedade civil organizada e instituições como o Ministério do Meio Ambiente (MMA), por meio da Agência Nacional de Águas (ANA), e do Projeto de Recuperação e Preservação de Sub-bacias Hidrográficas Formadoras dos Afluentes Mineiros do Rio São Francisco. O córrego é afluente do Rio Paraopeba que, por sua vez, é afluente do Velho Chico.

A Emater-MG teve o papel de identificar as propriedades, mobilizar e conscientizar os proprietários rurais para a permissão das obras em suas terras. Cerca de 12 famílias foram beneficiadas de modo direto e indireto, em oito propriedades, conforme Silmara Aparecida.

Segundo Silmara, a sub-bacia do Córrego do Elias abrange um terço da extensão territorial de São Joaquim de Bicas, o que dá a dimensão de sua importância para a irrigação das hortas e para a realização de outras atividades da região.

“Suas águas são de fundamental importância para o cultivo de hortaliças e para saciar a sede dos animais”, argumenta. Ela explica que um diagnóstico feito no meio rural do município constatou problemas como a impermeabilização da cabeceira do córrego, devido às atividades minerárias; além de topos de morro e pastagens degradadas, nascentes desprotegidas e redução do volume de água, entre outros.

Defensor das Águas

A Emater-MG de São Joaquim de Bicas atua também no Projeto Defensor das Águas, fruto de convênio entre a prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, e a Agência Nacional de Águas.

A proposta é implantar em outras sub-bacias hidrográficas do município mais 50 bacias de contenção de águas de enxurradas; três quilômetros de terraços; adequação de cinco quilômetros de estradas vicinais; reflorestamento de 15 hectares de área de preservação permanente (APP), com o plantio de vegetação nativa e cercamento de quatro quilômetros de APP. “Além disso, cada produtor da propriedade contemplada vai receber um pagamento pelo serviço ambiental prestado”, explica Silmara.

Segundo a extensionista, a empresa ajudou a escrever o projeto, que foi aprovado pelo governo federal. Seu objetivo é desenvolver ações de continuidade na preservação de recursos hídricos do município.

A Emater-MG tem participado também das ações da Central de Recebimento de Embalagens Vazias de Agrotóxicos, atualmente administrada pelo Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (Inpev).

“Incentivamos os agricultores no descarte correto das embalagens de defensivos químicos. Um destaque foi a implantação de uma unidade demonstrativa de saneamento rural, com a construção de fossa séptica biodigestora, conhecida como Tevap (tanque de evapotranspiração), no mesmo espaço da central”, explica.

O escritório da empresa pública de extensão rural promove ainda, anualmente em agosto, em parceria com o Inpev, o Encontro de Produtores Rurais. Durante o evento, em comemoração ao Dia Nacional do Campo Limpo, instituído pelo Inpev para 18 de agosto, a Emater-MG realiza palestras de educação e ações ambientais; inclusão produtiva; saúde; saneamento rural e erradicação da pobreza e previdência, entre outros temas.

A empresa também participa de ações de educação ambiental, em parceria com o Inpev, dirigido a alunos do 4º e 5º anos do ensino fundamental. “Os professores recebem kits do Inpev com tema aprovado pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC) e inserido na Prova Brasil, para ser trabalhado durante o ano. Isso inclui concursos de desenho e redação”, ressalta a extensionista da Emater-MG em São Joaquim de Bicas.

Prêmio

O Programa de Manejo Ambiental do Município de São Joaquim de Bicas foi um dos trabalhos regionais da empresa de extensão rural, agraciados pelo Prêmio MelhorAção de 2019. A iniciativa da Emater-MG elege os melhores destaques dos serviços no ano, com objetivo de valorizar seus funcionários e clientes.

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