Acordo Mercosul-UE Avança e é Celebrado como Marco Histórico
- Rádio AGROCITY

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No dia 9 de janeiro de 2026, um marco significativo na história das relações comerciais internacionais foi alcançado com a aprovação do Acordo Mercosul-União Europeia (UE). Após mais de 26 anos de negociações, o acordo foi celebrado como um passo crucial para estabelecer a maior zona de livre comércio do mundo, com a assinatura prevista para ocorrer no Paraguai em 17 de janeiro de 2026. Esse blog procura explorar em profundidade as nuances desse acordo, seus impactos econômicos e o contexto histórico que o envolve.

Contexto Histórico das Negociações
As negociações para o Acordo Mercosul-União Europeia começaram em 1995, com o objetivo de promover o comércio e fortalecer as relações entre as duas regiões. Desde então, diversos obstáculos e tensões políticas foram enfrentados, o que atrasou a conclusão do acordo por anos.
Vários governos foram envolvidos e diversas questões foram levantadas, incluindo preocupações sobre sanidade animal, meio ambiente e direitos trabalhistas. Esses fatores resultaram em um processo de negociação intenso e, muitas vezes, conflituoso, o que fez com que muitos duvidassem da viabilidade do acordo.
Em 2019, um passo importante foi dado quando as partes chegaram a um entendimento inicial, mas a finalização do acordo dependia do apoio político interno na UE e nas nações do Mercosul. Esse flerte com o sucesso foi finalmente coroado em 2026, quando a UE deu seu aval para a assinatura formal do tratado.
Principais Produtos Beneficiados e Impactos para a Economia
O acordo promete benefícios significativos para ambos os blocos. O Mercosul se comprometeu a eliminar tarifas sobre 91% das exportações da UE, incluindo produtos como automóveis, ao longo de um período de 15 anos. Por sua vez, a UE eliminará progressivamente tarifas sobre 92% das exportações do Mercosul em até 10 anos, favorecendo, principalmente, produtos agropecuários.
Quais são os produtos que se destacam?
Automóveis: A redução de tarifas nos automóveis europeus deve impulsionar a presença de veículos da UE no mercado sul-americano.
Carnes: O Mercosul se beneficiará da eliminação de tarifas sobre carnes bovinas e de frango, produtos que são altamente demandados na Europa.
Grãos: A soja e o milho, principais produtos agrícolas do Mercosul, também terão espaço ampliado no mercado europeu.

Setores Empresariais Favorecidos
A integração das economias através do Acordo Mercosul-UE proporcionará benefícios diretos a diversos setores. Entre os principais beneficiados estão:
Agronegócio: Com a eliminação de tarifas, o agronegócio brasileiro poderá expandir suas exportações.
Indústria Automotiva: A abertura do mercado deve estimular investimento e concorrência no setor automobilístico.
Setor de Serviços: Com a maior liberdade de comércio, empresas de serviços podem se estabelecer facilmente em novos mercados.
Resistência de Agricultores Europeus
Apesar dos benefícios, há muita resistência de agricultores da UE, especialmente na França e na Polônia, que temem a concorrência de produtos mais baratos do Mercosul. Essa preocupação motivou a oposição de países como França, Polônia, Áustria, Irlanda e Hungria, que votaram contra o acordo.
Geopolítica e Posicionamento Internacional
O Acordo Mercosul-União Europeia traz implicações geopolíticas que vão além do comércio. A formação da maior zona de livre comércio do mundo não apenas altera as dinâmicas comerciais entre os blocos, mas também posiciona o Mercosul como um jogador significativo no cenário internacional.
Com a ascensão de novos mercados e potências, como a China e a Índia, a crescente importância estratégica do Mercosul ressalta a necessidade de uma abordagem coesa em termos de política externa. O acordo servirá para fortalecer a posição do Mercosul em negociações futuras, possibilitando um diálogo mais robusto com outras regiões do mundo.
Desafios Políticos Internos
Embora a aprovação inicial do acordo tenha sido um sucesso, os desafios internos ainda são substanciais. Após a assinatura formal, o tratado precisa ser aprovado pelo Parlamento Europeu e, dependendo da interpretação jurídica, também pode necessitar da aprovação por parlamentos nacionais da UE. Além disso, a ratificação deve ocorrer pelos Congressos de Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.
Dada a complexidade política no cenário europeu, especialmente com as múltiplas contrariedades, o processo de ratificação pode ser longo e complicado. É importante que os países do Mercosul trabalhem em uma estratégia para garantir que o acordo não enfrente obstruções adicionais.
Comparação com Outros Acordos Comerciais
O Acordo Mercosul-UE se destaca em comparação com outros acordos comerciais estabelecidos mundialmente. Por exemplo, o Acordo de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA) e os Acordos Trans-Pacífico e Transatlântico mostraram que parcerias comerciais podem ser tanto um trunfo quanto uma fonte de tensões políticas.
No entanto, o Mercosul-UE se distingue por sua abrangência, envolvendo setores diversificados e oferecendo benefícios econômicos sustentáveis. A experiência acumulada com acordos anteriores pode servir como um guia para o tratamento de questões pendentes durante a implementação do novo acordo.
Cronograma Detalhado e Próximas Etapas
Após a cerimônia de assinatura prevista para 17 de janeiro de 2026, um cronograma de implementação e ratificação será crucial. As principais etapas incluem:
Assinatura Formal (17 de janeiro de 2026): O acordo será assinado no Paraguai, com a presença de figuras importantes como Ursula von der Leyen e Friedrich Merz.
Aprovação pelo Parlamento Europeu: Esta etapa é crucial e pode demorar meses.
Ratificação pelos Congressos do Mercosul: Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai precisarão ratificar o acordo.
Aplicação Provisória: Partes do tratado, especialmente as relacionadas à redução de tarifas, podem ser aplicadas provisoriamente antes da ratificação completa.
Com isso, espera-se que a implementação do acordo seja acompanhada de perto, garantindo que os benefícios econômicos sejam percebidos o mais rápido possível.

Perspectivas Econômicas
Por fim, as perspectivas econômicas decorrentes do Acordo Mercosul-União Europeia são amplas e promissoras. Estudos indicam que o acordo pode gerar um crescimento significativo do PIB para ambas as regiões, impulsionando o comércio e aumentando o investimento estrangeiro direto.
Além disso, a redução de tarifas e a promoção do acesso ao mercado abrirão novas oportunidades para empresas e consumidores. O comércio mais livre pode resultar em preços mais baixos e uma maior variedade de produtos disponíveis para os consumidores no Brasil e na UE.
Em suma, o Acordo Mercosul-UE representa uma oportunidade histórica para fortalecer os laços comerciais e econômicos entre a América do Sul e a Europa. A celebração desse marco não só reflete os desafios enfrentados, mas também as esperanças e expectativas para um futuro mais cooperativo e próspero.







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