Bioenergia: O Salto do SAF e a Rentabilidade do Milho
- Rádio AGROCITY
- há 3 horas
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Olá, ouvintes e leitores da Rádio AGROCITY.
O cenário do agronegócio em 2026 consolida uma transição que vínhamos acompanhando: o campo deixou de ser apenas um fornecedor de alimentos para se tornar o epicentro da segurança energética e das finanças climáticas globais. No relatório de hoje, analisamos como a convergência entre bioenergia, a valorização das commodities estratégicas e a consolidação via M&A está redefinindo o valuation das empresas do setor.

O setor de biocombustíveis atravessa um momento de expansão de Capex (investimento em bens de capital) sem precedentes. O foco central é o SAF (Sustainable Aviation Fuel). Estima-se que as usinas brasileiras que integraram a produção de etanol de milho e cana elevaram suas margens EBITDA em cerca de 15% no último ciclo, impulsionadas pela demanda internacional por descarbonização da aviação.
Impacto Financeiro: O ROI de novas plantas de etanol de milho tem se mostrado resiliente, mesmo com a volatilidade dos grãos, devido ao aproveitamento total dos subprodutos (DDGS) para a nutrição animal.
Estratégia: Empresas que adotam o modelo "Flex" (cana e milho) mitigam riscos sazonais e garantem fluxo de caixa constante, tornando-se alvos primordiais para fundos de Private Equity focados em transição energética.
Commodities Estratégicas: O "Prêmio Verde" no Café e Cacau
O mercado de Café e Cacau vive uma reestruturação de preços. Não se trata apenas de oferta e demanda, mas de conformidade regulatória. Com a plena vigência das leis antidesmatamento em mercados europeus, o "gap" entre o produto commodity e o produto rastreável aumentou significativamente.
Cacau: A escassez estrutural na África Ocidental posicionou o Brasil como um player estratégico de recuperação. Investimentos em renovação de áreas e sistemas agroflorestais estão gerando uma rentabilidade por hectare superior a culturas tradicionais de grãos em regiões específicas.
Café: A valorização dos cafés especiais em 2026 está diretamente ligada à Agricultura Regenerativa. O mercado financeiro passou a precificar o sequestro de carbono no solo como um ativo adicional ao grão, permitindo que produtores acessem linhas de crédito com juros até 1,5% menores (Green Bonds).
Consolidação e M&A: O Movimento das AgTechs
Após um período de ajuste nas avaliações (valuations) entre 2024 e 2025, o setor de AgTechs vê um ressurgimento de Fusões e Aquisições. O movimento agora é de "consolidação de ecossistemas". Grandes players de insumos estão adquirindo plataformas de dados e rastreabilidade para oferecer soluções "end-to-end".
Análise 360º: A estratégia por trás desses M&As não é apenas tecnologia, mas dados para ESG. Para as grandes corporações, adquirir uma AgTech de monitoramento é a forma mais barata de garantir o compliance de suas cadeias de suprimento e proteger o valor de suas ações em bolsas como a B3 e a NYSE.
Perspectiva Estratégica
O produtor e o investidor que ignorarem a intersecção entre o balanço financeiro e as métricas de sustentabilidade enfrentarão maior custo de capital. A inovação no campo hoje é, antes de tudo, uma inovação financeira. O sucesso no agronegócio de 2026 reside na capacidade de transformar conformidade ambiental em margem líquida.
Por Rafael Terra, seu analista de Agronegócios & Finanças.



