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Deflação no Prato: Cesta Básica Cai em Todas as Capitais e Alivia Bolso dos Brasileiros

  • Foto do escritor: Rádio AGROCITY
    Rádio AGROCITY
  • 20 de jan.
  • 4 min de leitura

O Alívio Real na Mesa das Famílias


O encerramento do segundo semestre de 2025 trouxe um dado alentador para a macroeconomia brasileira: o custo da cesta básica registrou queda em todas as 27 capitais do país. De acordo com o levantamento mais recente do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o movimento deflacionário nos alimentos essenciais marca um período de consolidação da oferta interna e ajuste nos preços de consumo. Este fenômeno é um dos principais indicadores de bem-estar social, uma vez que a alimentação compromete a maior parte da renda das famílias de baixa renda.


Para o ouvinte da Rádio AGROCITY, essa notícia não é apenas um número estatístico, mas um reflexo de uma conjuntura que envolve desde a porteira das fazendas até as gôndolas dos supermercados. Historicamente, o preço dos alimentos é o componente mais volátil da inflação e o que mais gera pressão política e econômica. A queda generalizada — que variou de -1,56% em Belo Horizonte até expressivos -9,08% em Boa Vista — sinaliza que o país atravessa um ciclo de maior estabilidade no abastecimento, contrastando com os picos inflacionários observados em anos anteriores.


O Detalhe Técnico e Causas: Por que os Preços Caíram?


A queda nos preços não é um evento isolado, mas o resultado de uma combinação de fatores climáticos favoráveis e políticas de incentivo à produção. Segundo a Conab, o aumento da produção de alimentos para o consumo interno foi o principal motor dessa redução. O fortalecimento dos Planos Safra, tanto para a agricultura empresarial quanto para a agricultura familiar, garantiu que o produtor tivesse recursos disponíveis com juros subsidiados para plantar e colher com eficiência.


Tecnicamente, o aumento da oferta de produtos como arroz, feijão, milho e óleo de soja no mercado doméstico força a queda dos preços médios. Além disso, a estabilização das cadeias logísticas e a redução nos custos de insumos agrícolas (como fertilizantes), que haviam disparado em períodos de crises globais, permitiram que o custo de produção diminuísse, sendo gradualmente repassado ao consumidor final. A expansão da pesquisa do Dieese para todas as 27 capitais em 2025 também permite uma visão mais fidedigna e detalhada da realidade nacional, eliminando "pontos cegos" estatísticos.


Consequências para o Mercado: Investimentos e Câmbio


No mercado financeiro, a queda nos preços dos alimentos é recebida como um sinal de que a inflação (IPCA) pode permanecer dentro das metas estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Quando o grupo "Alimentos e Bebidas" perde pressão, o Banco Central ganha maior margem de manobra para gerir a Taxa SELIC. Com uma inflação mais controlada, a expectativa por cortes ou manutenção de taxas de juros em patamares mais baixos aumenta, o que tende a estimular o mercado de capitais e atrair investimentos para o setor produtivo.


No campo do câmbio, embora a cesta básica seja composta majoritariamente por produtos nacionais, a valorização do Real frente ao Dólar no período também contribuiu indiretamente. Commodities agrícolas que são exportadas, como a soja e o trigo, passam a ter seu preço interno suavizado quando a moeda nacional se fortalece. Para o investidor, este cenário de "deflação alimentar" reduz o risco de choque de oferta e traz maior previsibilidade para os ativos brasileiros, refletindo-se positivamente na Bolsa de Valores, especialmente em empresas do setor de varejo e consumo.


Impacto no Consumidor e Emprego: O Poder de Compra Recuperado


O impacto mais imediato da queda da cesta básica é o aumento do "rendimento real" do trabalhador. Quando o preço do conjunto de alimentos essenciais cai de R$ 712,83 para R$ 652,14, como ocorreu em Boa Vista, o trabalhador deixa de gastar cerca de R$ 60 que agora podem ser direcionados para outras necessidades, como lazer, saúde ou pagamento de dívidas. Isso gera o chamado "efeito multiplicador" na economia: o dinheiro economizado no mercado circula em outros setores.


No que tange ao emprego, um cenário de custos de vida controlados favorece a manutenção do poder de compra dos salários, reduzindo a pressão por reajustes emergenciais que poderiam alimentar uma espiral inflacionária. Com as famílias consumindo mais, o setor de comércio e serviços tende a contratar mais para atender à demanda. Para o brasileiro médio, a queda no preço da cesta básica significa, na prática, uma melhora na qualidade nutricional e uma redução na insegurança alimentar, fator crucial para a estabilidade social do país.


Perspectivas Futuras e Riscos: O que Esperar para 2026?


Apesar do otimismo com os dados do segundo semestre de 2025, os economistas alertam para os riscos que podem surgir no horizonte de 2026. O principal deles é o fator climático. O setor agropecuário é extremamente dependente do regime de chuvas, e qualquer anomalia climática (como episódios severos de El Niño ou La Niña) pode reverter a queda nos preços em poucos meses. Além disso, o cenário fiscal brasileiro continua sendo monitorado de perto; se os gastos públicos saírem do controle, a desvalorização do Real pode encarecer os insumos importados e pressionar novamente os preços internos.


Outro ponto de atenção é a conjuntura externa. Tensões geopolíticas que afetam o preço do petróleo impactam diretamente o custo do frete, que é o "veículo" que leva o alimento do campo à cidade. Se o combustível subir, a tendência é que o alívio sentido no final de 2025 seja mitigado. Portanto, a manutenção dessa trajetória de queda dependerá da continuidade de políticas de apoio ao abastecimento e de um ambiente macroeconômico global estável.


A queda do custo da cesta básica em todas as capitais brasileiras é uma vitória da produtividade nacional e um respiro necessário para o bolso do cidadão. Entender esses movimentos macroeconômicos é fundamental para planejar as finanças pessoais e compreender os rumos do nosso país. Para continuar bem informado sobre os indicadores que mexem com o seu bolso e com o agronegócio, sintonize na Rádio AGROCITY. Aqui, trazemos análises exclusivas, entrevistas com especialistas e a cobertura completa do que acontece no mercado financeiro e no campo. Fique ligado na nossa programação e acompanhe nossas redes sociais!

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