Etanol Perde Fôlego nas Bombas: Mato Grosso do Sul é a Única Exceção de Competitividade no Brasil
- Rádio AGROCITY

- 19 de jan.
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O cenário para o consumidor brasileiro que prefere o biocombustível registrou um estreitamento significativo na última semana. Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o etanol hidratado perdeu vantagem competitiva frente à gasolina em quase todo o território nacional. No levantamento encerrado em 17 de janeiro, a média nacional da paridade entre os dois combustíveis ficou em 72,31%, superando o limite teórico de 70% que tradicionalmente define a vantagem econômica do derivado da cana-de-açúcar.
Atualmente, o Mato Grosso do Sul isolou-se como o único estado brasileiro onde abastecer com álcool ainda traz um benefício financeiro claro e direto no bolso do motorista. Com o preço médio do litro fixado em R$ 4,14, a paridade no estado sul-mato-grossense atingiu 68,20%, mantendo-se como o último reduto de competitividade para o setor sucroenergético nesta virada de quinzena.
Mercado e Cotações: A Pressão dos Custos e a Paridade Nacional
A perda de competitividade do etanol é um reflexo direto da dinâmica de preços nas usinas e da logística de distribuição no início de 2026. A paridade média de 72,31% indica que, para a maioria dos motoristas, a gasolina tornou-se a opção mais eficiente. Esse movimento é influenciado pela entressafra e pelo ajuste nas estratégias de comercialização das unidades produtoras, que equilibram a produção entre açúcar (com preços internacionais atrativos) e o etanol.
Embora a regra dos 70% seja a métrica padrão, executivos do setor ressaltam que a tecnologia dos motores flex evoluiu. Em muitos veículos modernos, o etanol pode ser vantajoso mesmo com uma paridade ligeiramente superior, chegando a 75% em casos específicos de eficiência energética. No entanto, para o mercado de massa, a percepção de valor está atrelada à bomba, e o aumento do preço médio nacional desestimula o consumo do biocombustível, pressionando as margens das usinas que dependem do volume de vendas doméstico.
Impacto na Produção: Estratégias das Usinas e o "Mix" de Safra
Para o produtor de cana-de-açúcar e para as indústrias sucroenergéticas, a baixa competitividade do etanol nas bombas acende um sinal amarelo. Quando o consumo de hidratado cai, as usinas tendem a maximizar a produção de açúcar ou de etanol anidro (misturado à gasolina), alterando o chamado "mix de produção". No Mato Grosso do Sul, a manutenção da competitividade pode estar atrelada a uma logística local mais eficiente ou a políticas tributárias estaduais que favorecem o biocombustível, garantindo o escoamento da produção regional.
Essa situação força o setor a buscar maior eficiência industrial para reduzir o custo do litro produzido. O desafio é manter o etanol atraente para o consumidor sem sacrificar a rentabilidade da indústria, especialmente em um período onde os insumos agrícolas e os custos de transporte continuam elevados. O produtor precisa estar atento às oscilações, pois a baixa demanda nas bombas pode resultar em estoques mais altos nas unidades produtoras, pressionando os preços pagos pela tonelada de cana (ATR).
Perspectivas Futuras: O Papel da Sustentabilidade e o Retorno da Safra
A curto prazo, a tendência é que o etanol continue enfrentando dificuldades para recuperar espaço, a menos que ocorra uma valorização acentuada do petróleo no mercado internacional, o que elevaria o preço da gasolina. Com o avanço para os meses de safra mais volumosa no Centro-Sul, espera-se que a maior oferta de cana possa trazer um alívio nos preços ao consumidor, devolvendo a competitividade ao biocombustível em estados como São Paulo, Minas Gerais e Goiás.
Além do fator preço, o setor aposta na agenda verde e nos créditos de descarbonização (CBIOs) para sustentar a viabilidade do etanol. Mesmo com a paridade desfavorável em termos puramente financeiros, o apelo ambiental do combustível renovável é um ativo que o agronegócio brasileiro continua a defender como estratégico para a matriz energética nacional e para o cumprimento de metas climáticas internacionais.
A dinâmica dos preços nos postos é o termômetro final de uma cadeia produtiva complexa que começa no canavial. Para o produtor e para o investidor, entender por que apenas o Mato Grosso do Sul mantém a vantagem competitiva é essencial para antecipar os movimentos das usinas e do mercado de commodities.
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