Golpe no "Tribunal do Crime": Polícia Civil prende chefes de facção que monitoravam execuções em Ribeirão das Neves
- Rádio AGROCITY

- há 5 dias
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A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) deflagrou, nas primeiras horas desta sexta-feira, 20 de março de 2026, uma operação cirúrgica para desmantelar uma célula do chamado "tribunal do crime" que aterrorizava moradores de Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A ação resultou na prisão de três homens apontados como as principais lideranças de uma facção atuante no bairro Justinópolis. O grupo é investigado por gerenciar execuções sumárias de rivais e até de moradores que descumprissem as "leis" impostas pelo tráfico local, utilizando métodos de extrema violência para manter o controle territorial.
A investigação, que durou seis meses, revelou um esquema de monitoramento digital por parte dos criminosos. Eles utilizavam câmeras de segurança instaladas clandestinamente em postes de iluminação pública para vigiar a chegada de viaturas e o deslocamento de pessoas estranhas à comunidade. Com os mandados de prisão e de busca e apreensão em mãos, mais de 40 policiais cercaram estrategicamente os alvos para evitar fugas pelos telhados, tática comum utilizada pelos suspeitos em abordagens anteriores.
O rastro de sangue e o código de silêncio em Justinópolis
O foco da operação de hoje foi a elucidação de dois homicídios ocorridos em janeiro, cujas vítimas foram submetidas a julgamentos clandestinos antes de serem executadas. Segundo o inquérito policial, as lideranças presas hoje davam a palavra final sobre quem deveria morrer, muitas vezes por videoconferência, de dentro de unidades prisionais ou de esconderijos em outras cidades. Esse "comando à distância" demonstra a sofisticação da hierarquia criminosa que a PCMG conseguiu romper nesta manhã.
Durante as buscas nas residências dos suspeitos, foram encontrados cadernos de contabilidade do tráfico, aparelhos celulares com registros de ameaças a moradores e uma lista de "sentenciados". A polícia destaca que o impacto dessas prisões vai além do encarceramento; trata-se de devolver a liberdade de ir e vir à população local, que vivia sob um rigoroso código de silêncio imposto pela força das armas e pelo medo de represálias violentas.
Blindagem tecnológica e apreensões no reduto do tráfico
Um dos pontos que mais chamou a atenção dos agentes foi a apreensão de drones de última geração, utilizados pela facção para patrulhar as divisas com bairros dominados por grupos rivais. Essa "força aérea" do crime permitia que os líderes antecipassem ataques e organizassem emboscadas. Com a queda desses chefes, a inteligência da Polícia Civil espera desdobrar a investigação para identificar os fornecedores de tecnologia e armamento pesado que abasteciam o grupo em Ribeirão das Neves.
Além da tecnologia, a operação confiscou três pistolas de calibre restrito com numeração raspada e dezenas de munições. O material foi encaminhado para a perícia técnica, que realizará testes de balística para verificar se essas armas foram utilizadas em outros crimes recentes na Grande BH. A retirada desse arsenal de circulação é uma vitória estratégica para reduzir os índices de crimes violentos letais intencionais (CVLI) na região metropolitana, que vem apresentando queda desde o início das operações integradas em 2026.
O cerco jurídico e o isolamento das lideranças
Com os alvos detidos, o foco da Polícia Civil agora se volta para a fase processual. Os presos foram indiciados por homicídio qualificado, constituição de milícia privada e organização criminosa. A Justiça já determinou o bloqueio de contas bancárias vinculadas aos CPFs dos suspeitos e de parentes próximos, utilizados para a lavagem do dinheiro oriundo da extorsão de comerciantes locais. A estratégia é sufocar o braço financeiro do grupo para impedir que novas lideranças assumam o vácuo deixado pelas prisões de hoje.
O destino dos detidos é o Centro de Remanejamento do Sistema Prisional (Ceresp), onde aguardarão o julgamento em isolamento, para evitar que continuem exercendo influência sobre os subordinados que ainda estão nas ruas. A PCMG ressaltou que novas fases desta operação podem ocorrer nas próximas semanas, dependendo do cruzamento de dados obtidos nos celulares apreendidos hoje, que prometem revelar conexões com criminosos de outros estados.

A voz da autoridade e o compromisso com a comunidade
A ação coordenada em Ribeirão das Neves reafirma que não existem "zonas autônomas" para o crime em Minas Gerais. O recado das forças de segurança é claro: a tecnologia e a audácia dos criminosos serão sempre combatidas com inteligência superior e presença constante do Estado. A tranquilidade levada hoje aos moradores de Justinópolis é o resultado de um trabalho silencioso, mas implacável, de homens e mulheres dedicados à preservação da vida e da ordem pública.
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