Minas Gerais em Alerta: O Desafio das Arboviroses e a Nova Era da Imunização no SUS em 2026
- Rádio AGROCITY

- 22 de jan.
- 4 min de leitura

Minas Gerais reforça vigilância e inicia vacinação estratégica para enfrentar doenças sazonais
No início deste ano de 2026, Minas Gerais encontra-se em um momento crítico e decisivo para a saúde pública estadual. Com o avanço do período chuvoso, o Governo de Minas e a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) lançaram uma série de ofensivas para conter o avanço das arboviroses — como dengue, zika e chikungunya — e da febre amarela. O boletim epidemiológico mais recente, publicado em 20 de janeiro de 2026, aponta que o estado já registra mais de 3.200 casos prováveis de dengue, com óbitos em investigação, o que acende o sinal de alerta para toda a população da Região Metropolitana de Belo Horizonte e do interior.
A relevância desta mobilização é imediata: estamos diante de uma sazonalidade que, historicamente, sobrecarrega os prontos-socorros e as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs). A estratégia do estado para 2026 não se limita apenas ao combate ao mosquito Aedes aegypti, mas foca em uma infraestrutura de imunização robusta, incluindo o uso de tecnologias 100% nacionais e investimentos que ultrapassam os R$ 210 milhões para o biênio 2025-2026. Proteger o cidadão antes que os casos se tornem graves é a prioridade zero para evitar o colapso da rede assistencial.
O detalhe do serviço: A vacina 100% nacional e a vigilância da Febre Amarela
Uma das grandes novidades de 2026 é o início da imunização contra a dengue com a vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan. O projeto-piloto, que teve início em Nova Lima, marca uma nova etapa no enfrentamento da doença por ser uma vacina de dose única, facilitando a adesão da população de 15 a 59 anos e garantindo uma eficácia superior a 79%. Este avanço tecnológico é um divisor de águas para o SUS em Minas, reduzindo a logística complexa de esquemas vacinais de múltiplas doses.
Simultaneamente, o estado intensifica a vigilância contra a febre amarela. Embora não haja registros da doença em humanos neste início de ano, a presença do vírus em primatas não humanos e a baixa cobertura vacinal em certas regiões preocupam as autoridades. O investimento de R$ 100 milhões na aquisição de "Vacimóveis" — unidades móveis de vacinação — visa levar a proteção a áreas de difícil acesso e zonas rurais, onde o ciclo silvestre da doença é mais ativo.
Orientações para o cidadão: Onde buscar ajuda e como se prevenir
A orientação da Secretaria de Saúde é clara: aos primeiros sintomas de febre alta, dor atrás dos olhos, manchas vermelhas no corpo ou dores intensas nas articulações, o cidadão deve procurar preferencialmente a sua Unidade Básica de Saúde (UBS) de referência. Estes locais estão capacitados para a avaliação inicial, hidratação imediata e notificação do caso. Casos que apresentem sinais de gravidade, como dor abdominal intensa ou sangramentos, devem ser encaminhados às UPAs ou hospitais de urgência.
Além da vacinação, a prevenção doméstica continua sendo a arma mais eficaz. Com as chuvas frequentes em Belo Horizonte, qualquer recipiente que acumule água pode se tornar um criadouro. A recomendação técnica é a "Regra dos 10 Minutos": uma vez por semana, verifique calhas, pratinhos de vasos e caixas d'água. Para a febre amarela, é fundamental que quem nunca se vacinou ou está com o esquema incompleto procure o posto de saúde, lembrando que a vacina é a única forma de evitar óbitos pela doença.
Desafios estruturais: A crise dos repasses e o sufoco dos hospitais filantrópicos
Apesar dos investimentos em prevenção, o sistema de saúde mineiro enfrenta um gargalo financeiro preocupante. Nesta semana de janeiro de 2026, hospitais filantrópicos de Belo Horizonte, como a Santa Casa, o Hospital Sofia Feldman e o Hospital da Baleia, manifestaram sérias dificuldades devido ao atraso nos repasses de pagamentos. Algumas instituições relatam ter recebido apenas 25% do valor esperado, o que compromete a manutenção de leitos e a compra de insumos básicos.
A situação é paradoxal: enquanto o estado investe milhões em novas vacinas e vigilância, a rede que atende os casos graves — as Santas Casas — luta contra o endividamento e a necessidade de empréstimos bancários para manter as portas abertas. A Federassantas-MG busca um cronograma formal de pagamentos junto à prefeitura e ao estado para evitar que a crise financeira se transforme em uma crise de assistência direta ao paciente, especialmente no momento em que a demanda por internações tende a subir devido às doenças sazonais.
Avanços médicos e tecnológicos: O papel da inovação na saúde pública brasileira
Mesmo diante de desafios orçamentários, o cenário da saúde em 2026 também é de esperança tecnológica. A incorporação de novas tecnologias no SUS, como o Sequenciamento de Nova Geração (NGS) para identificar mutações genéticas em pacientes com câncer e a ampliação de exames diagnósticos para doenças raras, demonstra que a medicina pública brasileira está se modernizando.
Em Minas Gerais, a expectativa gira em torno do projeto do novo complexo hospitalar da Fhemig, que promete aumentar em 40% a capacidade de consultas especializadas e integrar o novo Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen-MG). Essa integração entre assistência direta e inteligência laboratorial permitirá que o estado responda com muito mais rapidez a futuras epidemias, transformando a forma como o SUS MG gere a saúde de seus mais de 20 milhões de habitantes.
Cuidar da saúde é um esforço coletivo que envolve desde a limpeza do quintal até a cobrança por políticas públicas eficientes. A vacinação disponível hoje é fruto de ciência de ponta e deve ser valorizada como um patrimônio de todos os mineiros. Não deixe sua proteção para depois: procure a unidade de saúde mais próxima e atualize seu cartão de vacina.
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