Moratória da Soja: Riscos para o Agronegócio com o Abandono do Acordo
- Rádio AGROCITY

- há 5 dias
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O agronegócio brasileiro enfrenta um momento crucial com a decisão de importantes traders de soja de abandonarem a moratória que protege a Amazônia do desmatamento. O Imaflora (Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola) emitiu um alerta sobre os sérios riscos que essa decisão pode trazer para o setor.
O Que é a Moratória da Soja?
A moratória da soja é um acordo multissetorial considerado um dos mais eficazes instrumentos contra a expansão da sojicultura ligada ao desmatamento. Vigente desde 2008, o acordo garante rastreabilidade e compromete as empresas a não comprarem soja cultivada em áreas desmatadas após julho de 2008 na Amazônia.
Ao longo de 18 anos de existência, a moratória conseguiu preservar mais de 13 mil km² de floresta, com apenas 2,1% do desmatamento destinado à soja desde sua implementação.
Os Riscos do Abandono
Segundo o Imaflora e outras organizações ambientais, a saída da Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais) e de suas traders associadas do acordo representa múltiplos riscos:
Risco Ambiental: Aumento potencial do desmatamento na Amazônia
Risco Climático: Elevação das emissões de gases de efeito estufa, comprometendo as metas do Acordo de Paris de redução entre 59-67% até 2035
Risco Reputacional: Danos à imagem do agronegócio brasileiro no mercado internacional
Risco Econômico: Retrocesso nos avanços conquistados que podem afetar exportações e acordos comerciais
O Contexto da Decisão
A decisão da Abiove ocorre após o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) formar maioria para suspender a moratória a partir de janeiro de 2026. O Cade considerou que o acordo poderia ter características anticompetitivas, com indícios de possíveis danos ao mercado, como aumento de preços da commodity.
No entanto, ambientalistas e especialistas defendem que os benefícios ambientais, climáticos e até econômicos de longo prazo superam quaisquer preocupações concorrenciais.
Impactos para o Setor
O Brasil é o maior produtor e exportador mundial de soja. A moratória tem sido fundamental para manter a credibilidade do produto brasileiro no mercado internacional, cada vez mais exigente quanto a critérios de sustentabilidade.
Organizações como o WWF-Brasil alertam que o abandono do acordo coloca em risco não apenas conquistas ambientais, mas também a competitividade do agronegócio brasileiro em um mercado global que valoriza cada vez mais a produção sustentável.
Perspectivas Futuras
Segundo o Imaflora, a moratória permanecerá vigente até que haja uma dissolução formal do termo de 2016. Especialistas defendem que o país precisa encontrar soluções que conciliem desenvolvimento econômico com proteção ambiental, especialmente em um contexto de emergência climática global.
O debate sobre o futuro da moratória da soja se intensifica, envolvendo governo, setor privado, organizações ambientais e a sociedade civil, todos buscando o melhor caminho para o agronegócio brasileiro e para a preservação da Amazônia.
A decisão sobre o futuro da moratória terá impactos profundos não apenas para o meio ambiente, mas para toda a cadeia produtiva da soja e para a imagem do Brasil como produtor responsável.







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