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O Dilema da Selic em 15%: Como o Cenário Macroeconômico de 2026 Impacta o Proprietário de Imóvel na Grande BH

  • Foto do escritor: Rádio AGROCITY
    Rádio AGROCITY
  • 27 de jan.
  • 5 min de leitura
Foto aérea do bairro Belvedere em Belo Horizonte - MG.

Nesta "Superquarta" de 27 de janeiro de 2026, o cenário macroeconômico brasileiro encontra-se em um ponto de inflexão decisivo. O Comitê de Política Monetária (Copom) mantém os holofotes voltados para a Taxa Selic, atualmente estacionada em expressivos 15% ao ano. Para o proprietário de imóvel residencial, especialmente na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), esse número não é apenas um índice estatístico; é o termômetro que define desde a valorização do seu patrimônio até a liquidez do mercado de locação. O impacto imediato é uma seletividade extrema no crédito, o que tem represado a demanda por compras, mas, por outro lado, fortalecido o mercado de aluguéis na capital mineira.


Entender este contexto é vital para o mineiro que possui imóveis. Historicamente, o setor imobiliário em Belo Horizonte demonstra uma resiliência singular, sustentada por uma topografia que limita a expansão urbana e valoriza áreas consolidadas. No entanto, o patamar atual de juros é o maior em quase duas décadas, criando um hiato entre o desejo de compra e a capacidade de financiamento das famílias. Para quem já possui o ativo, o momento exige uma análise estratégica: o custo de oportunidade de manter o capital imobilizado em tijolos versus a rentabilidade da renda fixa é a grande questão que paira sobre as mesas de jantar em BH e Nova Lima neste início de ano.


O Detalhe Técnico e as Causas da Taxa em 15%


A manutenção da Selic em 15% é uma resposta deliberadamente contracionista do Banco Central frente a uma inflação de serviços que se mostrou persistente ao longo de 2025. Embora o IPCA tenha fechado o último ano dentro da meta, os núcleos inflacionários — aqueles que medem os preços menos voláteis — continuam pressionados. Isso significa que, para o Banco Central, o risco de baixar os juros prematuramente e perder o controle das expectativas para o restante de 2026 é maior do que o risco de frear o crescimento econômico imediato.


Para o proprietário em Belo Horizonte, isso se traduz em um custo de capital elevado. O "overshoot" dos juros (manutenção em patamares altos por mais tempo) visa garantir que o Brasil não sofra uma nova rodada de indexação de preços. Na prática, enquanto a Selic não der sinais claros de queda — o que o mercado projeta apenas para o segundo semestre, com expectativa de encerrar o ano em 12,25% — o dinheiro "parado" em bancos rende muito, o que compete diretamente com o rendimento de aluguéis, que em BH costuma girar entre 0,4% e 0,6% ao mês.


Consequências para o Mercado: Liquidez e Valorização


O impacto direto dessa política monetária no mercado imobiliário da Grande BH é a redução da velocidade de vendas. Com o crédito imobiliário mais caro e escasso, o volume de transações de compra e venda de usados tende a diminuir, já que o financiamento pelo SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo) sofre com as taxas efetivas que ultrapassam os 13% ao ano. Isso gera um cenário de "mercado de compradores", onde quem possui liquidez (dinheiro vivo) consegue negociar descontos agressivos.


Por outro lado, o novo Plano Diretor de Belo Horizonte tem restringido o potencial construtivo em diversas áreas, o que funciona como um escudo para quem já é proprietário. Como a oferta de novos lançamentos em bairros como Lourdes, Santo Agostinho e Sion torna-se mais complexa e cara devido ao custo de construção (INCC ainda pressionado), o estoque existente tende a manter seu valor nominal. A valorização real pode estar estagnada momentaneamente devido aos juros, mas a escassez de terrenos na capital mineira garante que o patrimônio não derreta.



Impacto no Consumidor e no Mercado de Aluguéis


Se por um lado a venda está difícil, o mercado de locação em Belo Horizonte vive um momento de dinamismo. Com as parcelas do financiamento proibitivas para a classe média, muitas famílias que planejavam comprar o primeiro imóvel em 2026 decidiram permanecer — ou migrar — para o aluguel. Esse movimento sustenta as taxas de ocupação em patamares elevados, especialmente em apartamentos de 2 e 3 quartos em regiões com boa infraestrutura de serviços, como o Vetor Norte (proximidades da Cidade Administrativa) e a região da Pampulha.


Para o proprietário, o desafio agora é a gestão desse ativo. A inadimplência, embora historicamente baixa em Minas Gerais, requer atenção redobrada diante de um mercado de trabalho que, apesar de resiliente, sente o peso do crédito caro nas empresas. A profissionalização da gestão da locação torna-se obrigatória. O proprietário que ainda tenta gerir contratos de forma amadora corre riscos jurídicos e fiscais maiores, especialmente com as atualizações da Reforma Tributária que começam a desenhar novos contornos para o ganho de capital e a tributação de aluguéis.


Perspectivas Futuras e Riscos para o Proprietário Mineiro


As projeções indicam que 2026 será o "ano do equilíbrio". Se o Copom sinalizar cortes na Selic a partir de março, como muitos analistas preveem, poderemos ver uma corrida por financiamentos represados até o final do ano. Contudo, os riscos fiscais e as incertezas externas (como a política monetária americana) podem manter os juros altos por mais tempo do que o esperado. Outro ponto de atenção para o proprietário na Grande BH é a valorização de ativos em condomínios fechados em Nova Lima e Brumadinho, que seguem uma lógica própria de luxo e escassez, menos dependente do crédito bancário tradicional.


O principal risco para o investidor imobiliário em 2026 é a vacância prolongada por falta de adaptação às novas exigências do consumidor. Imóveis antigos que não passaram por retrofit ou que não oferecem conectividade e eficiência energética tendem a perder espaço. Em Belo Horizonte, a tecnologia e a digitalização na análise de crédito e na vistoria de imóveis não são mais diferenciais, mas pré-requisitos para garantir que o imóvel não se torne um "passivo" gerador de condomínio e IPTU sem retorno.


Entender as engrenagens da macroeconomia é o primeiro passo para proteger seu patrimônio. Em um cenário de Selic a 15%, a diferença entre um bom investimento e um prejuízo silencioso está na qualidade da gestão e na velocidade de resposta às mudanças do mercado. O proprietário de imóvel residencial na Grande BH deve estar atento: a oportunidade de rentabilizar seu ativo com segurança nunca foi tão dependente de inteligência e dados.


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