Prepare o Solo com Calcário para Aumentar a Produtividade do Milho!
- Rádio AGROCITY

- 23 de jan.
- 4 min de leitura

Você já sentiu que, mesmo investindo nas melhores sementes de milho e nos fertilizantes mais caros, a sua colheita ainda fica aquém do potencial esperado? O problema pode não estar no que você está colocando "sobre" a terra, mas sim no que está acontecendo "dentro" dela.
A calagem — o ato de aplicar calcário no solo — é o alicerce de qualquer lavoura de milho de alta performance. Neste guia completo, vamos entender por que o calcário é o melhor amigo do produtor e como utilizá-lo para transformar a acidez do solo em sacas de produtividade.
Por que o Solo Brasileiro Precisa de Calcário?
A maioria dos solos brasileiros é naturalmente ácida. Isso ocorre devido à nossa formação geológica e ao regime de chuvas, que "lava" nutrientes básicos (Cálcio, Magnésio e Potássio) e deixa o caminho livre para elementos tóxicos, como o Alumínio (Al3+).
Para o milho, um solo ácido é um ambiente hostil. O alumínio impede o crescimento das raízes, fazendo com que a planta tenha dificuldade em buscar água em camadas profundas.
É aqui que entra o calcário: ele atua como um corretivo que neutraliza essa acidez e fornece nutrientes essenciais.
Os 4 Grandes Benefícios da Calagem no Milharal
Neutralização do Alumínio Tóxico: O calcário "desativa" o alumínio que queima as pontas das raízes.
Fornecimento de Cálcio (Ca) e Magnésio (Mg): Nutrientes vitais para a estrutura da planta e para a fotossíntese.
Aumento da Eficiência dos Fertilizantes: Em solos ácidos, o fósforo (P) fica "preso" na terra. O calcário o libera para a planta.
Melhoria da Atividade Biológica: Microorganismos benéficos preferem solos com pH equilibrado (entre 6,0 e 6,5).
O Passo a Passo para uma Calagem de Sucesso
Não basta apenas jogar o calcário na terra. Para obter resultados que paguem o investimento, é preciso estratégia.
1. Análise de Solo: O Exame de Sangue da Fazenda
Antes de comprar o insumo, você precisa saber a dose exata. Uma análise de solo bem feita (coletada na profundidade de 0-20 cm e, preferencialmente, 20-40 cm) é indispensável. Sem ela, você corre o risco de aplicar de menos (não corrigindo o solo) ou de mais (causando desequilíbrios nutricionais).
2. Escolha do Tipo de Calcário
Existem basicamente três tipos principais no mercado:
Calcário Calcítico: Rico em Cálcio (baixo teor de Magnésio).
Calcário Magnesiano: Teor intermediário de Magnésio.
Calcário Dolomítico: Contém mais de 12% de óxido de magnésio. É o mais comum no Brasil, pois corrige a acidez fornecendo os dois nutrientes principais.
3. O Cálculo da Necessidade de Calagem (NC)
Existem diferentes métodos para calcular a quantidade de calcário por hectare. O mais utilizado é o Método da Saturação por Bases (V%). A fórmula básica busca elevar a saturação por bases atual do solo para o nível ideal do milho (geralmente 70%).
NC(t/ha)=PRNT(V2−V1)×CTC
Onde:
V2: Saturação por bases desejada (70% para milho).
V1: Saturação por bases atual (da análise).
CTC: Capacidade de Troca Catiônica.
PRNT: Poder Relativo de Neutralização Total do calcário.
Quando e Como Aplicar? O Segredo do "Timing"
O calcário não faz efeito imediato. Ele precisa de umidade e tempo para reagir quimicamente com as partículas de solo.
Antecedência Ideal: Aplique de 60 a 90 dias antes do plantio. Se você pretende plantar a safra de verão em outubro, o ideal é que a calagem ocorra entre julho e agosto.
Aplicação e Incorporação: No sistema convencional, o calcário deve ser distribuído a lanço e incorporado com grade aradora para que atinja a zona radicular. No Sistema de Plantio Direto (SPD), a aplicação é feita na superfície, aproveitando a porosidade natural do solo e o tempo para que os nutrientes desçam.
O Impacto Direto na Produtividade: O Que Diz a Ciência?
Estudos da EMBRAPA e de diversas universidades mostram que uma calagem bem feita pode aumentar a produtividade do milho em 20% a 50% em solos degradados.
Imagine o seguinte cenário comparativo:
Fator de Comparação | Solo Sem Calagem (pH < 5.0) | Solo Com Calagem (pH 6.0 - 6.5) |
Desenvolvimento Radicular | Raso e atrofiado | Profundo e vigoroso |
Aproveitamento de Fósforo | Baixo (menos de 30%) | Alto (acima de 70%) |
Resistência à Seca | Baixa (planta sente rápido) | Alta (busca água no fundo) |
Expectativa de Colheita | 80 a 100 sacas/ha | 150 a 200+ sacas/ha |
Erros Comuns que Você Deve Evitar
Ignorar o PRNT: Comprar o calcário mais barato sem olhar o Poder Relativo de Neutralização Total. Um calcário com PRNT baixo exige uma quantidade maior de produto para o mesmo efeito.
Aplicação em Solo Muito Seco: Sem água, a reação química não acontece. Se o período for de seca extrema, o calcário ficará "inerte" na terra.
Falta de Uniformidade: Aplicar com máquinas desreguladas gera manchas de acidez na lavoura, resultando em um milharal desigual (com "altos e baixos").
Dicas Agropecuárias de Ouro para o Produtor de Milho
Cuidado com a Supercalagem: O excesso de calcário eleva demais o pH, o que pode "travar" micronutrientes como Zinco e Manganês, fundamentais para o milho. Siga sempre a recomendação técnica.
Gesso Agrícola não é Calcário: Lembre-se que o gesso (CaSO4) não corrige o pH (acidez). Ele serve para levar o cálcio a camadas mais profundas e neutralizar o alumínio no subsolo. O ideal é usar ambos de forma complementar.
Manutenção: A acidez volta com o tempo devido à exportação de nutrientes pela colheita e ao uso de fertilizantes nitrogenados. Refaça a análise de solo a cada 2 ou 3 anos.
Conclusão: O Chão é o Seu Maior Ativo
Investir em calcário não é um custo, é a fundação do lucro na agropecuária. Ao preparar o solo corretamente, você garante que cada grão de adubo colocado no sulco de plantio seja transformado em energia para a planta, resultando em espigas maiores, grãos mais pesados e maior rentabilidade.
O milho responde rápido ao cuidado. Se você der as condições ideais para as raízes, a planta retribuirá com uma produtividade recorde.
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