✈️ Rota Agrícola: Brasil Conquista Emirados Árabes e Líbano com Feijão e Codornas, Elevando o Patamar de Exportação
- Rádio AGROCITY

- 11 de nov. de 2025
- 5 min de leitura
O Avanço Estratégico em Nichos e a Diversificação de Receitas
O dia é de celebração para setores específicos, mas de alto valor, do agronegócio brasileiro. Em um anúncio conjunto dos Ministérios da Agricultura e Relações Exteriores (MRE), foi formalizada a abertura de dois importantes mercados para produtos que, apesar de não estarem no pódio das commodities mais negociadas, carregam um peso estratégico enorme: as exportações brasileiras de codornas foram autorizadas a ingressar nos Emirados Árabes Unidos (EAU), e o feijão preto, por sua vez, ganhou acesso oficial ao Líbano. Este movimento, resultado de intensas negociações sanitárias e fitossanitárias, é mais um marco na diversificação da pauta de exportações, fundamental para a resiliência do setor produtivo nacional. A notícia reforça a estratégia do Brasil de buscar e consolidar nichos de mercado, garantindo que a pujança do agro não dependa apenas da tríade soja, milho e carne bovina, mas se espalhe para as proteínas alternativas e para as culturas de grãos de consumo interno.

A abertura desses dois novos canais comerciais adiciona mais duas conquistas às 188 aberturas de mercado acumuladas pelo Brasil no ano corrente, demonstrando a eficácia da diplomacia agropecuária. O Oriente Médio e o Líbano, em particular, são regiões de extrema relevância geopolítica e comercial para o Brasil. Os Emirados Árabes Unidos, por exemplo, são o 6º principal destino do agronegócio nacional, tendo importado o equivalente a US$ 3,3 bilhões em 2024. Já o Líbano, embora com volumes menores (mais de US$ 432 milhões em 2024), é um mercado historicamente importante, principalmente para carnes e produtos dos complexos sucroalcooleiro e de soja. A inclusão de produtos como o feijão preto e as codornas na pauta demonstra o crescente reconhecimento da qualidade e da sanidade dos produtos brasileiros, desde os grandes players até os produtores de especialidades. A vitória é dupla: fortalece laços comerciais e oferece novas rotas de escoamento para agricultores e avicultores que, muitas vezes, sofrem com a volatilidade do mercado doméstico.
Feijão Preto para o Líbano: Estabilidade Doméstica e o Prêmio da Exportação
A liberação da exportação de feijão preto brasileiro para o Líbano é uma notícia que ressoa com força na mesa do brasileiro e nas lavouras de Minas Gerais, Paraná e Goiás, principais produtores.
O Equilíbrio entre a Mesa e o Mercado Internacional
O feijão, em suas diversas classes, mas especialmente o feijão preto (usado na culinária tradicional e na feijoada), é uma commodity com forte componente social. Sua cotação é extremamente sensível à oferta e demanda interna, gerando picos de preço que afetam a inflação e o poder de compra das famílias. Historicamente, os produtores de feijão buscam a exportação como uma válvula de escape para o excesso de produção e como uma alternativa para obter preços premium em relação ao mercado doméstico.
A entrada oficial no Líbano, um país com uma forte demanda por alimentos de qualidade e que já possui uma robusta comunidade brasileira de descendentes, oferece uma nova porta de saída. Embora o volume inicial possa não ser massivo como o da soja, ele é strategicamente importante:
Estabilidade de Preços: Uma demanda externa previsível ajuda a estabilizar as cotações internas, garantindo que o produtor não tenha que vender a preços muito baixos em anos de safra recorde (o chamado "efeito excedente"), beneficiando a sustentabilidade econômica da atividade.
Exigência de Qualidade: O mercado libanês, sendo um destino de alto padrão de exigência sanitária, forçará os produtores e as tradings a adotarem o mais alto rigor de classificação, embalagem e certificação. Isso eleva o padrão de toda a cadeia produtiva, o que, a médio prazo, beneficia também o consumidor doméstico.
O Produtor de Feijão no Novo Contexto
Para o agricultor, esta abertura significa uma nova rota de comercialização que pode ser menos volátil que o mercado interno e que paga um prêmio pelo volume e qualidade. O feijão, muitas vezes cultivado em rotação com a soja ou como safra de inverno (safrinha), ganha maior valor agregado. A atenção deve se voltar agora para a logística e os protocolos. A semente deve ser rastreada, a ausência de pragas e doenças deve ser garantida pelas inspeções fitossanitárias do MAPA, e a embalagem deve cumprir as especificações libanesas. É o reconhecimento de que, para exportar, a produção tem que ser quase farmacêutica em termos de controle de qualidade.
Codornas nos Emirados Árabes: O Nicho que Gera Bilhões e a Estratégia Halal
A entrada das codornas nos Emirados Árabes Unidos é, talvez, a notícia mais promissora para o segmento de proteínas alternativas.
A Força da Avicultura em Segmentos Específicos
O Brasil é o maior exportador global de carne de frango, e a avicultura brasileira é reconhecida mundialmente pela sua eficiência e rigor sanitário. A codorna e seus ovos são um nicho de alta especialização e valor agregado. A autorização concedida pelos EAU, inicialmente focada no comércio das aves destinadas à alimentação animal (codorna viva ou abatida), é um atestado de confiança crucial.
Os Emirados Árabes Unidos são um hub comercial e financeiro vital no Oriente Médio, e a abertura deste mercado tem implicações que vão além do volume:
Reconhecimento Sanitário: O aval para as codornas indica que as autoridades sanitárias dos EAU confiam nos sistemas de controle de sanidade avícola do Brasil, um sinal que pode ser replicado para outros países do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC), como Arábia Saudita, Bahrein, e Kuwait.
Plataforma para Outros Produtos: Esta abertura inicial, ainda que focada em ração animal, pode ser a porta de entrada para a exportação de produtos de codorna para consumo humano (ovos e carne), um mercado premium e crescente em países com alto poder aquisitivo.
Certificação Halal: O mercado árabe exige a certificação Halal para todos os produtos de origem animal destinados ao consumo humano. A capacidade de atender a esta demanda rigorosa, aliada à excelência da avicultura brasileira, posiciona o país como um fornecedor confiável, mesmo em proteínas de nicho.
Oportunidade para o Produtor Especializado
Para o avicultor especializado em codornas, a abertura dos EAU significa a expansão da escala de produção e a garantia de um mercado comprador de alta liquidez. É um incentivo ao investimento em tecnologia, biosseguridade e genética para atender a demanda por volumes e qualidade superiores que o comércio internacional exige. É o cenário ideal onde o produtor especializado deixa de depender do balanço interno e mira a rentabilidade do câmbio, tornando a produção de codornas um investimento mais atraente a médio e longo prazo.
Perspectivas Futuras e o Papel da Diplomacia Técnica
O sucesso de 188 aberturas de mercado no ano não é coincidência, mas sim o resultado de um trabalho técnico e diplomático que alia a alta produtividade brasileira ao rigor sanitário do MAPA e à articulação do MRE.
O desafio futuro é manter essa taxa de abertura e, mais importante, consolidar o comércio nos novos mercados. Isso significa que produtores e tradings devem agir rapidamente para cumprir as exigências de embalagem, logística e, no caso dos EAU, obter ou renovar as certificações Halal para garantir o fluxo contínuo dos embarques. A tendência é que a busca por nichos e pela diversificação de destinos continue. Produtos como o gergelim, a pimenta-do-reino e frutas premium são os próximos na mira da diplomacia brasileira, buscando capitalizar a imagem do Brasil como o grande celeiro do mundo.
A conquista dos mercados dos Emirados Árabes Unidos e do Líbano para codornas e feijão preto é mais do que um acréscimo na balança comercial; é a prova da maturidade e da estratégia de nicho do agronegócio brasileiro. Ela garante mais opções de venda e estabilidade ao produtor de feijão, ao mesmo tempo que abre um horizonte de alto valor para a avicultura especializada em codornas. Este sucesso consolida a diplomacia técnica do Brasil e exige, agora, que toda a cadeia produtiva se mobilize para atender aos rigorosos padrões de qualidade exigidos por esses novos parceiros. Para se manter atualizado sobre o impacto dessas aberturas de mercado nas cotações diárias do feijão, das carnes e de outras commodities, e obter análises estratégicas que guiam sua produção, sintonize a Rádio AGROCITY. Estamos aqui para levar o mercado global até a sua fazenda.







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