SAFRA 2025/26: O DESAFIO DA PRODUTIVIDADE FRENTE AO CLIMA E A PRESSÃO NAS MARGENS DO PRODUTOR
- Rádio AGROCITY

- 15 de jan.
- 3 min de leitura

O agronegócio brasileiro inicia este 15 de janeiro de 2026 em um ponto de inflexão decisivo. Enquanto as máquinas começam a ganhar ritmo nas lavouras de soja de Mato Grosso e Paraná, o setor lida com um cenário de contrastes: projeções de volumes recordes na produção de oleaginosas, mas sob a sombra de uma instabilidade climática severa e margens de lucro cada vez mais apertadas. A dualidade entre a alta produtividade física e a rentabilidade financeira real coloca o produtor em um estado de alerta máximo para o fechamento deste ciclo.
Neste contexto, o fenômeno La Niña, que deve persistir até o final do primeiro trimestre de 2026, tem ditado o ritmo das operações. A irregularidade das chuvas no Sul e o excesso de umidade em pontos isolados do Centro-Oeste não apenas desafiam a logística de colheita, mas também acendem o sinal amarelo para a sanidade vegetal, com um aumento expressivo nos casos de ferrugem asiática no Paraná. O mercado global, atento a cada movimento das tradings e às tensões geopolíticas, mantém os preços em um patamar de resistência, exigindo do produtor brasileiro uma gestão de custos cirúrgica.
Mercado e Cotações: A Luta pela Margem em um Cenário de Recordes
Apesar das projeções que apontam para uma colheita de soja próxima a 170 milhões de toneladas, o preço da saca de 60kg tem oscilado entre R$ 118,00 e R$ 124,00 nas principais praças físicas. Este valor, embora robusto nominalmente, enfrenta a barreira do custo de produção elevado herdado de 2025. Analistas de mercado apontam que "volume já não garante margem" em 2026; o sucesso financeiro da safra atual dependerá da estratégia de comercialização e do uso de ferramentas de hedge para proteção contra a volatilidade cambial e as incertezas nas exportações para a China.
No setor pecuário, o boi gordo mantém uma trajetória de estabilidade com viés de alta, cotado em torno de R$ 318,00 a arroba no mercado físico paulista. A retenção de fêmeas e o ciclo pecuário favorável oferecem um suporte aos preços, mas o custo da ração — diretamente ligado às incertezas do milho safrinha — permanece como o grande vilão do confinador. Já o café arábica segue como o destaque positivo de rentabilidade, com a saca superando os R$ 2.200,00, impulsionada pela recomposição da oferta global e pela qualidade da safra brasileira que chega ao mercado internacional.
Impacto na Produção: Clima e Sanidade no Olho do Furacão
O manejo das lavouras neste mês de janeiro exige atenção redobrada. No Paraná, o registro de mais de 80 casos de ferrugem asiática — o dobro do observado no mesmo período da safra anterior — é um reflexo direto do clima úmido e quente, que favorece a proliferação de fungos. Para o produtor, isso significa um aumento inesperado no número de aplicações de defensivos, elevando o custo operacional por hectare e pressionando o fluxo de caixa justamente no momento da colheita.
Enquanto a soja caminha para o recorde, o milho de primeira safra (verão) enfrenta ajustes negativos. A StoneX e a Conab já indicam uma redução na oferta interna devido à instabilidade climática, o que pode gerar um efeito cascata no setor de proteína animal (aves e suínos) nos próximos meses. A estratégia agora é o "escape": produtores do Centro-Oeste aceleram a colheita da soja para garantir a janela ideal de plantio do milho segunda safra (safrinha), evitando que o atraso climático exponha o cereal ao risco de geadas ou seca prematura no outono.
Perspectivas Futuras: O Agro como Motor da Economia em 2026
As projeções para o restante de 2026 indicam que o Brasil deve consolidar sua posição como o maior exportador mundial de soja e milho, mas o cenário político e tributário doméstico será o "teste de fogo". A implementação de novas etapas da reforma tributária e o debate sobre o seguro rural no Orçamento da União são temas que o setor produtivo acompanhará de perto. A tecnologia e a digitalização do campo, com a ascensão dos bioinsumos e do mercado de carbono, deixam de ser tendências para se tornarem ferramentas obrigatórias de sobrevivência e diferenciação no mercado internacional.
Para o produtor rural, 2026 será o ano da "gestão profissionalizada". Aqueles que investiram em infraestrutura de armazenagem e diversificação de ativos estarão mais resilientes às oscilações de preço. A safra 2025/26 prova que o Brasil tem competência para produzir volumes históricos, mas o desafio agora é transformar essas toneladas em sustentabilidade financeira de longo prazo para as famílias do campo.
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