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Crise de Insalubridade: Greve dos Garis em BH Entra no 2º Dia e Ameça Saúde Pública sob Alerta de Chuvas

  • Foto do escritor: Rádio AGROCITY
    Rádio AGROCITY
  • 20 de jan.
  • 4 min de leitura

O Impasse nas Calçadas: Coleta de Lixo Suspensa em Regionais Estratégicas


Belo Horizonte amanheceu nesta terça-feira, 20 de janeiro de 2026, enfrentando um cenário crítico que mistura reivindicações trabalhistas e riscos sanitários. A paralisação dos garis, iniciada na manhã de ontem, ganhou força e já atinge cerca de 800 mil moradores das regionais Leste, Nordeste e Noroeste. O que começou como um protesto isolado na porta da empresa Sistemma Serviços Urbanos transformou-se em uma suspensão por tempo indeterminado, deixando calçadas tomadas por resíduos e gerando indignação entre os contribuintes.


O impacto é imediato e visível. Em bairros tradicionais como o Coração Eucarístico, São Geraldo e Sagrada Família, o acúmulo de lixo já atrai vetores como ratos, baratas e pombos. A situação é agravada pelo fator climático: a Defesa Civil de Belo Horizonte emitiu um alerta de chuva extremamente forte para esta terça-feira, com previsão de até 90 mm de precipitação. Sem a coleta, os sacos de lixo depositados nas vias correm o risco de serem arrastados para bueiros, o que pode causar inundações e potencializar o risco de doenças como a leptospirose.


O Contexto do Fato: Por que os Garis Pararam em 2026?


A motivação por trás da greve não é apenas salarial, mas estrutural e humana. Os trabalhadores terceirizados da Sistemma Serviços Urbanos denunciam um cenário de precarização que, segundo eles, se arrasta há meses. Entre as pautas de reivindicação apresentadas, destacam-se pontos que ferem diretamente a dignidade do trabalhador:


  • Ausência de Assistência Médica: Os funcionários relatam estar há anos sem acesso a convênio médico, uma falha considerada grave para uma categoria exposta diariamente a riscos biológicos.

  • Irregularidades no FGTS: Denúncias de falta de depósitos regulares no Fundo de Garantia por Tempo de Serviço.

  • Condições de Trabalho Precárias: Falta de equipamentos de proteção individual (EPIs), caminhões em péssimo estado de conservação e jornadas exaustivas.

  • Gestão de Pessoal: Relatos de assédio moral e punições arbitrárias, como cortes de tickets e dias de trabalho por apresentação de atestados médicos.


A Superintendência de Limpeza Urbana (SLU) informou que está adimplente com todos os repasses contratuais para a empresa prestadora de serviço. No entanto, para o cidadão, a responsabilidade final recai sobre a gestão municipal, que precisa mediar o conflito para garantir a continuidade de um serviço essencial.


Impacto Prático no Cidadão: Riscos à Saúde e à Segurança


Para o morador da capital mineira, a greve não é apenas um incômodo estético. Em meio ao verão mineiro, com altas temperaturas e umidade elevada, a decomposição orgânica do lixo acumulado é acelerada. Moradores do bairro São Geraldo relatam que o mau cheiro já impede a abertura de janelas, e o surgimento de insetos dentro das residências tornou-se um problema real de utilidade pública.


Guia de Sobrevivência Urbana: O que fazer com o lixo agora?


Enquanto o impasse continua, a recomendação de especialistas em saúde pública inclui:


  1. Armazenamento Interno: Se possível, evite colocar o lixo na calçada até que a situação se normalize, mantendo-o em recipientes fechados dentro de casa ou em áreas internas do condomínio.

  2. Reforço na Vedação: Utilize sacos mais resistentes e garanta que estejam bem amarrados para evitar que a água da chuva espalhe o conteúdo.

  3. Separação de Orgânicos: Tente reduzir o volume de lixo orgânico, que é o que causa mau cheiro e atrai animais, priorizando a reciclagem de secos por meio da coleta seletiva (onde disponível e não afetada).


Análise de Infraestrutura: O Gargalo da Terceirização em BH


A greve dos garis expõe uma fragilidade na infraestrutura de serviços públicos de Belo Horizonte: a dependência de contratos de terceirização. Quando uma empresa prestadora falha em cumprir obrigações trabalhistas, todo o sistema de limpeza da cidade entra em colapso. A frota de caminhões, apontada pelos garis como insuficiente e mal conservada, é o símbolo de uma logística que parece não acompanhar o crescimento das regionais afetadas.


Para que o serviço seja normalizado de forma sustentável, a categoria afirma que seriam necessários ao menos 15 novos caminhões e o aumento imediato do contingente em até 50 profissionais. Sem esses investimentos, a sensação é de que a limpeza urbana de BH opera sempre no limite, vulnerável a qualquer paralisação. A análise técnica sugere que a prefeitura precisará endurecer a fiscalização sobre as terceirizadas ou rever o modelo de gestão para evitar que o lixo se torne uma arma de pressão política e social.


Perspectivas e Próximos Passos: O Caminho para a Solução


Diferente de outras capitais brasileiras que apostaram na mecanização pesada ou em sistemas de contêineres subterrâneos, Belo Horizonte ainda depende fortemente do trabalho manual e porta a porta. A greve atual coloca em xeque o cronograma de modernização da SLU para 2026. A empresa Sistemma alega que não foi comunicada oficialmente sobre a pauta de reivindicações, enquanto os trabalhadores afirmam que só voltam às atividades após uma mediação efetiva que garanta, no mínimo, o retorno do plano de saúde e a regularização do FGTS.


Os próximos passos envolvem o Tribunal Regional do Trabalho (TRT), que deve ser acionado para mediar o conflito. Até lá, o acúmulo de lixo tende a crescer exponencialmente, especialmente com a previsão de chuvas intensas para o final desta semana, o que pode forçar a prefeitura a adotar medidas de emergência, como a contratação temporária de equipes de apoio ou a utilização de servidores próprios para rotas essenciais (hospitais e grandes avenidas).


Mobilização e Cidadania em Belo Horizonte


A crise do lixo em Belo Horizonte é um lembrete severo de que a engrenagem da cidade depende de mãos que muitas vezes são invisíveis. A dignidade de quem limpa nossas ruas é a garantia da nossa saúde. Como cidadãos, o apoio à causa trabalhista se mistura à preocupação legítima com o ambiente em que vivemos. É hora de cobrar transparência tanto da empresa Sistemma quanto da PBH sobre o futuro da limpeza urbana na capital.


Para continuar acompanhando os desdobramentos desta greve, as rotas de coleta emergencial e as notícias de última hora sobre o clima em Minas Gerais, sintonize a Rádio AGROCITY. Estamos em campo trazendo a voz dos moradores e cobrando soluções das autoridades para que nossa cidade volte a brilhar.



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