Exportação de Frango do Rio Grande do Sul Recua em 2025: O Impacto da Gripe Aviária no Mercado Gaúcho
- Rádio AGROCITY

- 19 de jan.
- 3 min de leitura

O Desafio Sanitário e o Reflexo nos Números
O setor avícola do Rio Grande do Sul, um dos pilares da economia sulista e um dos maiores polos exportadores de proteína animal do Brasil, enfrentou um cenário desafiador no ano de 2025. De acordo com dados consolidados da Associação Gaúcha de Avicultura (ASGAV), as exportações de carne de frango do estado registraram uma queda de 0,77% em comparação ao ano anterior, totalizando 686,3 mil toneladas. O recuo, embora percentualmente pequeno à primeira vista, carrega um peso significativo por interromper uma trajetória de crescimento e refletir diretamente as barreiras impostas por questões sanitárias.
O fator central para esse desempenho negativo foi a detecção de casos de gripe aviária (Influenza Aviária de Alta Patogenicidade - IAAP) em território gaúcho ao longo do ano. A confirmação de focos, mesmo que controlados com rapidez pelas autoridades sanitárias, acionou protocolos internacionais de suspensão temporária de importações por parte de mercados estratégicos. Esse contexto exigiu um esforço hercúleo dos produtores e órgãos de fiscalização para conter o avanço da doença e mitigar os prejuízos logísticos e comerciais que impactaram o balanço final da safra exportadora.
Mercado e Cotações: Barreiras Comerciais e Valor Agregado
A queda no volume embarcado pelo Rio Grande do Sul é um reflexo direto do "fechamento de portas" temporário. No mercado de commodities de proteína animal, a confiança sanitária é a moeda de troca mais valiosa. Quando um caso de gripe aviária é reportado, países com acordos bilaterais rígidos, como China e Japão, tendem a aplicar embargos zonais ou estaduais imediatos. Isso forçou a indústria gaúcha a redirecionar parte da produção para o mercado interno, o que gera uma pressão de oferta doméstica e, consequentemente, uma oscilação nos preços pagos ao produtor local.
Apesar da redução no volume de toneladas, o setor buscou compensar as perdas através da exportação de cortes de maior valor agregado e da abertura de novos mercados menos restritivos. No entanto, o custo logístico de redirecionar cargas e as renegociações de contratos internacionais impediram que o faturamento acompanhasse o potencial total do estado. A manutenção das cotações dependeu, em grande parte, da capacidade de negociação da diplomacia comercial brasileira e da agilidade em demonstrar que os casos eram isolados e estavam sob controle rigoroso.
Impacto na Produção: Biossegurança como Prioridade Zero
Para o produtor rural gaúcho, o ano de 2025 serviu como um divisor de águas no que diz respeito ao manejo e investimento em infraestrutura. A presença da gripe aviária elevou o padrão de biossegurança exigido nas granjas para níveis nunca antes vistos. O controle de acesso de veículos, a proteção contra pássaros silvestres e a desinfecção rigorosa deixaram de ser recomendações para se tornarem obrigatoriedades de sobrevivência econômica.
Essas adaptações geraram um aumento nos custos de produção em um momento de margens apertadas. Aqueles que não conseguiram se adequar rapidamente aos novos protocolos de isolamento enfrentaram riscos maiores de interdição. Por outro lado, o impacto direto na produção também se deu pela cautela: muitos integradores e produtores independentes seguraram a expansão de alojamentos de aves até que o cenário sanitário do estado apresentasse uma estabilidade maior, refletindo diretamente na estagnação observada pela ASGAV.
Perspectivas Futuras: Recuperação e Vigilância em 2026
A projeção para o curto e médio prazo no Rio Grande do Sul é de uma recuperação gradual, condicionada à manutenção do status de "área livre" de novos focos da doença. A ASGAV e os órgãos de defesa agropecuária intensificaram o monitoramento, e a expectativa é que, com a transparência dos dados sanitários, os mercados que impuseram restrições em 2025 voltem a operar com normalidade em 2026. A demanda global por proteína de frango continua em ascensão, e o Brasil segue como o porto seguro para o suprimento mundial, o que favorece a retomada gaúcha.
O foco agora será a recuperação do market share perdido para outros estados produtores, como Paraná e Santa Catarina, que não enfrentaram os mesmos entraves sanitários no período. A modernização das plantas industriais e a intensificação das campanhas de vacinação e controle preventivo serão as ferramentas fundamentais para que o Rio Grande do Sul volte a registrar recordes de exportação, transformando as lições aprendidas em 2025 em uma vantagem competitiva de segurança biológica.
Os números da ASGAV mostram que o agronegócio é uma atividade de altos riscos, mas também de enorme capacidade de superação. Mesmo com o recuo nas exportações devido à gripe aviária, o setor avícola gaúcho demonstra maturidade para enfrentar crises e proteger sua produção. Acompanhar a evolução desses dados é vital para compreender os rumos da nossa economia e as oportunidades que surgem na retomada.
Para ficar por dentro de todas as análises de mercado, alertas sanitários e as cotações atualizadas do setor de proteína animal, sintonize na Rádio AGROCITY. Nós trazemos a voz do campo e a análise técnica para que você, produtor e empresário, esteja sempre à frente nos negócios.







Comentários