Reforma Tributária 2026: O Início da Era do IVA e os Desafios de Adaptação para o Agronegócio Mineiro e Nacional
- Rádio AGROCITY

- há 1 dia
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Nesta primeira semana de janeiro de 2026, o Brasil entra oficialmente em uma fase de transição histórica em seu sistema de arrecadação. Com o início do ano, as primeiras diretrizes da Reforma Tributária começam a ser aplicadas na prática, marcando o nascimento do Imposto sobre Valor Agregado (IVA) dual. Este movimento institucional, fruto de anos de debates no Congresso Nacional e negociações entre o Governo Federal, estados e o setor produtivo, visa simplificar o complexo manicômio tributário brasileiro, mas impõe desafios imediatos de conformidade para o agronegócio e para a economia de estados-chave, como Minas Gerais.
A implementação que se inicia agora é o resultado da Emenda Constitucional 132 e das leis complementares que regulamentaram o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS). O cenário atual é de "pedagogia tributária", como definiram relatores no Senado, onde o sistema passa a operar em regime de teste com alíquotas reduzidas, mas exigindo que o contribuinte já se adeque às novas normas técnicas de emissão de documentos fiscais.
O Detalhe da Proposta: O Início do IVA Dual
O novo modelo tributário baseia-se na substituição de cinco impostos (PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS) por dois novos tributos principais: a CBS, de competência federal, e o IBS, gerido de forma compartilhada por estados e municípios. Em 2026, a fase é de transição experimental. A alíquota estabelecida para este primeiro ano é de 1% (sendo 0,9% para a CBS e 0,1% para o IBS), valor que será abatido dos tributos atuais para não elevar a carga total neste estágio inicial.
A grande mudança técnica reside na inclusão desses novos campos nos arquivos XML das Notas Fiscais Eletrônicas. Embora o Governo Federal tenha flexibilizado temporariamente a obrigatoriedade de preenchimento para evitar um colapso nos sistemas de emissão em janeiro, a legislação permanece em vigor. Parlamentares da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e técnicos do Ministério da Fazenda destacam que este é o momento para que empresas e produtores rurais ajustem seus softwares de gestão (ERP) para a nova realidade que se consolidará nos próximos anos.
Impacto no Setor Produtivo: Agronegócio e Economia Mineira
Para o agronegócio, motor da economia de Minas Gerais, a reforma traz um tratamento diferenciado que exige atenção redobrada. Produtores rurais com faturamento anual de até R$ 3,6 milhões têm a opção de não serem contribuintes diretos do IBS e da CBS, mas podem transferir créditos presumidos para as empresas que adquirem seus produtos. Essa medida foi desenhada para manter a competitividade do pequeno e médio produtor, garantindo que o crédito tributário não se perca ao longo da cadeia produtiva.
Em Minas Gerais, o setor de proteína animal e as cooperativas cafeeiras já monitoram o impacto logístico e administrativo. A implementação do IBS, que será arrecadado no destino (onde o produto é consumido) e não mais na origem, altera a dinâmica de arrecadação estadual e municipal. O setor produtivo mineiro, historicamente onerado pela cumulatividade de impostos, deve se beneficiar da desoneração das exportações e dos investimentos, pontos centrais do novo texto legal, embora o custo de conformidade — o gasto para entender e aplicar a nova lei — seja elevado neste primeiro momento.
O Debate Político e as Divergências Institucionais
Apesar do avanço, o clima em Brasília não é de consenso absoluto. O início de 2026 é marcado por tensões entre o Executivo e o Legislativo quanto ao Orçamento da União. Vetos presidenciais recentes a trechos que protegiam recursos do Seguro Rural e da Embrapa geraram forte reação da oposição e de entidades ligadas ao agronegócio, como a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil).
De um lado, a base governista defende que a reforma e os ajustes fiscais são necessários para garantir a estabilidade macroeconômica e a queda dos juros a longo prazo. De outro, a oposição e as bancadas setoriais argumentam que o aumento da burocracia na fase de transição e o contingenciamento de verbas essenciais para a defesa agropecuária podem minar a competitividade brasileira no mercado internacional, especialmente em um momento de pressão externa por critérios ambientais rigorosos.
Cenários Futuros e Próximos Passos
Os próximos meses serão decisivos para o Comitê Gestor do IBS, órgão que coordenará a distribuição da arrecadação entre os entes federados. No Congresso Nacional, a expectativa é que a volta do recesso parlamentar em fevereiro traga o debate sobre a derrubada de vetos orçamentários e a finalização de normas secundárias que regem o Imposto Seletivo — o "imposto do pecado" — que começará a incidir sobre produtos nocivos à saúde e ao meio ambiente apenas em 2027.
O sucesso desta fase de transição em 2026 determinará a suavidade da curva de implementação total da reforma, prevista para ser concluída apenas em 2033. Para o produtor rural e o empresário mineiro, o cenário exige vigilância técnica e jurídica, pois qualquer erro na emissão documental agora pode resultar em passivos tributários ou na perda de créditos valiosos no futuro.
Conclusão
A transição tributária iniciada neste mês de janeiro de 2026 representa um divisor de águas para as instituições brasileiras. Mais do que uma mudança de siglas e alíquotas, trata-se de uma reestruturação do pacto federativo e da forma como o Estado se financia. Para o cidadão e o produtor, a fiscalização ativa e o acompanhamento das decisões tomadas nos gabinetes de Brasília e Belo Horizonte são fundamentais para garantir que a simplificação prometida se traduza, de fato, em justiça fiscal e crescimento econômico.
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